"Se eu fizesse tudo o que eu sonho, se eu não fosse assim tão tristonho, não seria assim tão normal"

Vanguart, Mallu Magalhães

domingo, maio 23, 2010

Domingo

Me sinto um lago raso aos domingos
É sempre uma nova história e o mês nunca acaba
Mentiras sinceras e segredos populares...
Muito prazer, eu moro na avenida dos sonhos falidos
O telefone toca mas eu nunca atendo
Só preciso de alguém que vala a pena lutar
Mas me sinto um lago raso aos domingos
Somos quem nos permitimos ser
Mas hoje é domingo e não choveu
Já faz tempo que não leio nem escrevo
Nem choro por amor nem danço na chuva
Tenho medo de morrer e tenho medo de viver
Me sinto vazia de mim mesma e cheia dos outros
Parei de ir à festas, elas me fazem superficial
Eu não quero beijar lábios que não amo
Mas como beijar então se não amo ninguém?
Eu quero me libertar das minhas margens
Mas hoje é domingo

segunda-feira, março 08, 2010

Ilha

Fuja se não poderás levar-me junto contigo no peito
Prometo que por ti sempre restará ao menos respeito
Meu jardim mais bem cuidado será apenas deserto morto
Meu corpo será vestido de dor e meu peito nu de conforto
Juro pelo vento que sopra nunca pedir mais que queres dar
És livre, pode escolher sozinho o caminho que queres trilhar
As cartas velhas joguei todas ao vento esperando por novas
Será que nessa espera não cavei junto as mais fundas covas?

quinta-feira, outubro 29, 2009

Meu nascimento

E um dia eu acordei do meu coma.
Assim pura e simplesmente.
Era como se eu nunca houvesse vivido de verdade.
Como as flores que brotam na relva,
Eu nasci dentro do meu peito.
Eu vi as cores,
Finalmente a escuridão da minha culpa não me cegava.
Finalmente aprendi de fato,
A não me importar com o que os outros pensam.
E como pensam!
Pensam de mais. Falam de mais. Brigam de mais.
Abriguei-me no meu silêncio,
Para que me deixassem nascer em paz.
Libertei-me de todos os meus pecados,
E fiz eu mesma minha redenção.
Já não quero mais ser manchete
Agora que cobram quem sou.
Estou livre de tudo que é invenção do homem,
Estou livre de meus falsos valores.
Posso correr mas minhas pernas tremulas ainda não o sabem.
Posso pensar o que quiser, posso ser quem eu quiser!
E sabe quem dentre todas as pessoas do mundo quem eu escolhi ser?
Eu mesma.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Porta fechada

Minha janela tem cortinas que voam com o bater suave da brisa do quinto andar. O móbile tilinta a música que os passarinhos não sabem cantar. Eu sento de pernas cruzadas na cadeira da minha escrivaninha e escrevo as palavras imperfeitas dos sentimentos perfeitos que sinto no meu peito despido. Sinto o cheiro dos livros e sinto o cheiro dos galhos do lado de fora da minha janela. O vento tem cheiro, tem aroma no meu quarto. Parece cheiro de grama recém-cortada no inverno quando chove. No inverno não, no outono. Meus olhos se serram de prazer e minha face se ilumina de inocência. Meu cabelo molhado nos ombros faz a redenção dos meus pecados e o sol beija minha face com um raio de luz. E eu pareço perdoada pelos crimes da minha condição humana. Meus olhos molhados de toda a chuva da minha frágil humanidade mostram o que ninguém mais vê, só eu. Meu quarto é meio bagunçado. E meu quarto é tudo o que sinto. É tudo no mundo, é brisa, é vento é sol. É maresia da praia e é luar. É todos meus sonhos falidos, é tudo o que eu sou e é tudo o que eu não sou, é tudo o que eu apenas sonho.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Nunca olhe para trás depois de escolher um caminho

Se arrepender depois de escolher o caminho que se quer trilhar
É como saber a letra da música e não poder cantar
Corra e nunca olhe pra trás, levante a cabeça, não tenha arrependimentos e siga seu caminho
Tenha cuidado, se meus conselhos não seguir, pode ver que trilha sozinho
Pode ver toda a dor que causou, ver todo temporal
Ver que em todo coração nasceram flores do mal
Não se arrependa de nada do que fez nem daquilo que ainda vai fazer
Pois as flores que semear, você sabe quem vai colher
E acredite, a derrota dos outros nem sempre é a sua vitória
São apenas mais algumas lembranças ruins pra se guardar na memória
E no meu caminho também continuo correndo apressado
Mas eu diferente de quem tem medo de colher o que planta
Não tenho medo de olhar pro passado

terça-feira, outubro 06, 2009

Ménage à trois

Era um dia frio de junho, todos segredos condenáveis jaziam encobertos
Porem o passado, o presente e o futuro no leito se misturavam
Os três estavam ao mesmo tempo em tempos diferentes despertos
O silêncio do segredo era o que todas as feições guardavam
Na janela o sol penetrava pelas frestas da cortina de seda
A brisa era gélida como a água do orválho da grama
Lá fora os espelhos observavam a antiga alameda
E a pele alva e lisa que ourtrora fora minha cama
Adormecida e fria estava
Como o segredo que agora apenas eu guardava

quinta-feira, outubro 01, 2009

Tudo que eu posso escrever

Sinto como se minhas palavras fossem apenas plágio de outra identidade
Uma cópia meio borrada é a mais pura verdade
Mas o que escrever quando tudo que se tem pra escrever é tudo que já foi escrito?
Eu apenas repito toda palavra já dita como uma transcrição mal feita
Qual o sentido de tentar manchar a imagem da palavra perfeita?
Essa é apenas mais uma poesia que um dia escrevi com palavras por mim roubadas
Mais uma dentre tantas outras que carregam nos versos apenas frases inacabadas
Palavras usadas meias mas que eu e somente eu entendo o valor completo
Pois na minha mente o significado não é meio, mas repleto
Meus sentimentos não sei escrever nem mostrar em palavras imperfeitas
Mas como te jurar meu amor se essas são todas as palavras já feitas?

quarta-feira, setembro 30, 2009

Silêncio de uma mente perturbada

Na rua a branca lua
Reflete minha alva pele nua
O lago e a neblina
A minha casa na colina
São apenas silêncio mudo
De quem nada diz
Mas ouve tudo

segunda-feira, setembro 28, 2009

Desculpas

Desculpa por nunca tentar
Sei que não é fácil perdoar
Pedir desculpas também é difícil de veras
Mas nada vale minhas desculpas mais sinceras?
Amigo não é aquele que aceita gostar por nossos eternos lados bonitos
Mas sim aquele que mesmo vendo que nossos defeitos são igualmente tão infinitos
Não nos solta no abismo escuro da nossa própria solidão
Seria você meu amigo se apenas soltasse minha mão?
Peço que me segure firme e não me deixe cair
Fique aqui comigo apenas por eu te pedir
Amigo querido, você será sempre meu
A pergunta é: por quanto tempo vai querer que eu seja seu?

quinta-feira, setembro 24, 2009

Somos um casal de três

Somos apenas três pessoas comuns nas nossas diferenças
Três rostos cheios de significados incertos na nossa insignificância
Três nomes meio vagos, como todos os nomes já criados
Isso nunca vai mudar por mais que se tente lapidar o passado
Não nas lembranças bonitas do nosso passado condenável
Pois o passado é eterno nos nossos campos de morango
Somos sempre três mas somos sempre um
Apenas mais três sonhadores morando nos campos de morango
Apenas mais três sonhadores mas há um milhão de sonhos para viver
Ahhh se eu pudesse no futuro de hoje confiar
Mas o futuro ainda é um ponto pequeno de mais na nossa estrada
Então que sigamos pra sempre nos campos de morango

segunda-feira, setembro 21, 2009

Canção do meu exílio

Eu canto junto e eu conto errado
As batidas do meu coração descompassado
Minha voz é rouca, meu timbre destoado
Seria essa apenas mais uma canção de um coração quebrado?

Nota: Escrevi esse refrão há algum tempo, e a pedidos da Ju tentarei musicá-lo em breve, criando acordes e batida para o violão.

sábado, setembro 19, 2009

Mais perguntas que respostas

Pais são sempre assim, tão iguais...
Perdem tempo, problemas tão banais
Mas porque tentar responder uma pergunta sem resposta?
Pra que tentar gostar do que não se gosta?
São aqueles que nos deixam viver mas tomam liberdade
Será que não esqueceram, já tiveram nossa idade?
Eu posso me fazer feliz, eu quero que seja assim!
Mas como posso, se tentam fazer por mim?
Eu os amo, mas às vezes acabamos discutindo os odeio!
Não podemos concordar com a alternativa do meio?
Mas não trocaria eles por outros pais
Pessoas se convencem, precisam sempre de mais
Mais mesada, mais roupas, mais espelhos
Mas eu não quero nada disso pra mim
Dinheiro não compra minha felicidade
Eu quero que o mundo se olhe nos espelhos e se pergunte:
Pra que tanta vaidade?
Pais são sempre assim, tão iguais...

sexta-feira, setembro 18, 2009

Beatles na faixa de segurança

Um dia a gente aprende a usar a faixa de segurança
A gente cresce e deixa de ser criança
Se estamos com os amigos o mundo parece parar
Dá uma alegria, uma vontade de cantar
Carros sempre incautos
Nossos pés sempre descalços
E mais uma tarde se esvai da nossa contagem regressiva
Eu tento não pressionar, não criar expectativa
Amigo que amo hoje e pra sempre
Presentes nunca compre
O maior presente do mundo é a nossa amizade
Juntos esquecemos toda dor, toda vaidade
Hoje e pra sempre que nos campos verdes tenhamos ajuda
As coisas acontecem mas sabemos que nada muda
Tardes e manhã sempre juntos, você sempre tão irmão
Cantamos com nossa voz rouca e único coração
Strawberry fields forever!

quinta-feira, setembro 17, 2009

A vida é uma festa mas eu não fui convidada

Sabe o mensalão da câmara do senado?
Não fui o único a não ser convidado
A minha família não recebe o bolsa família
Depois das eleições pra onde vão nossos amigos de Brasília?
Cadê a qualidade da educação do nosso Estado?
Será que o futuro bom está apenas na papelada do senado?
Cadê o sistema ÚNICO de saúde de toda uma nação?
Quem foi que errou a melodia da canção?
De que adianta eu escrever palavras se ninguém se importa?
Parece que a luta enfraqueceu e hoje jaz morta
Quando o povo grita porque é repreendido pelos democratas?
Estamos sendo pessoas assim tão ingratas?
Porque mascarar a ditadura tirana e oligárquica?
A nossa justiça não é nada democrática
Que se levante o Brasil da fome, da injustiça e segregação
Que consigamos juntos reerguer TODOS, UMA nação!

segunda-feira, setembro 14, 2009

Jogos há muitos esquecidos

Queria não ter medo
Mas coragem de mais é arrogância
Coragem de menos, covardia
Ninguém vê, mas meu coração eu sei que sente
Sou corajosa, minha alma é valente
Vejo que a piscina está cheia com todo o meu orgulho
E mesmo assim eu respiro fundo, mergulho
Eu fiz meu jogo e fiz minha lei
Todas as regras fui eu que criei
O jogo não é tão difícil quando se sabe ganhar
Mas porque você não quer ao menos tentar?
Eu quero meu jogo, realmente gosto das minhas regras
E daí que em telhados eu nunca joguei pedras?
E daí que nunca pulei muros?
Esses são desejos tão infantis, tão inseguros...
Coisas que você faz, tão sem sentido
São apenas peças esquecidas no meu jogo de tabuleiro
Você que decidiu ser apenas mais um prisioneiro
Prisioneiro das peças perdidas
Das vitórias cedidas
Prisioneiro do jogo que ninguém ganha
De que adianta se prender em liberdade?
Pra jogar é preciso honestidade
Mas depois disso, lute
E jogue sempre pra ganhar

domingo, setembro 13, 2009

Garotas

Foram milhares de olhares, beijos mas apenas um segredo
Me conte menina, do que é que tens tanto medo?
Um segredo guardado por mentiras sinceras
Mas ela sempre chorava sozinha
Ela tinha 16 mas mas estava esperando pelos 18
Mas talvez na sua cabeça confusa ela já tivesse
Era uma garota que eu conhecia
mas será que era verdade o que ninguém mais via?
Ela beijou uma outra garota e estava realmente feliz
Ela tinha uma nova amiga e não importava mais
E sua amizade de volta a menina deu
Seria tão estranho assim se dissesse que essa garota era eu?

sexta-feira, setembro 11, 2009

Ode a Mariana

Como definir uma amiga?
Não sei por que, essa palavra tanto me intriga
Poucos sabem o verdadeiro peso da palavra amizade
Muito poucos mesmo, pra dizer a verdade
Se um dia com meus erros meu mundo caísse
Você estaria lá se todo meu brilho sumisse?
Hoje sei que a vida dá voltas, muitas delas
Seria a vida uma encruzilhada de passarelas?
Ninguém vê a falsidade disso tudo?
Ninguém além de mim está cansado de viver esse absurdo?
Palavras sinceras que um dia eu tola como sou disse
Mariana viu e já não importava mais se ninguém mais visse!

quinta-feira, setembro 10, 2009

E se fosse verdade?

E lá estava eu
Meu corpo já não era mais só um junto ao teu
Agora que paro para pensar
Acho que talvez possa admitir e te contar
Que talvez o erro tenha sido meu
Mas as falsas promessas foi você quem prometeu
Mas não me conte, cale a boca e fique mudo
O que fazer quando aquele cara legal errou em tudo?
Sua opinião não importa mais
Acreditaria se eu dissesse que pra mim agora tanto faz?
Seus problemas agora são só seus
Peço que me deixe em paz para que eu possa curar os meus
Hoje sei que não existe mais um nós
Mas será que realmente chegamos a ficar sós?
Estou cercada de gente superficial
E admito que isso me faz sentir um tanto especial
Mas por mim tudo bem, já aprendi a ficar feliz assim
Me perdi em meio a multidão e me perdi dentro de mim
Decidi que não quero mais me achar
E se puder faça o favor de também não me procurar
Não é mais da sua conta saber com quem quero ficar
E não pergunte os nomes dos namorado que eu amar
Mas não se irrite se quando você passar eu fingir nem notar
Pois o passado já é pó
E no passado meu amor, meu ódio e minha dor hão de ficar
Faça o favor de meus sentimentos por ti não desenterrar
Pois uma coisa é certa, eu nunca mais vou te amar

quarta-feira, setembro 09, 2009

Já não me preocupo se eu não sei porque, as vezes o que eu vejo quase ninguem vê

Minha única constância é a inconstância. Meus constantes variam mais que minhas variáveis. Sou um erro matemático, uma humana não exata. Quando estou perto da verdade e quase posso saber quem sou ela me escapa! E já não posso olhar nos meus próprios olhos. Sei que não posso ser meu juiz. Mas minha alma continua refletida no meu espelho. Todos me vêem com a imagem invertida, me lêem ao contrário. As minhas verdades são emendas provisórias na minha legislação. O que escrevo é verdade mas há projetos em votação, e sei que alguns serão aprovados. Talvez a minha continue sendo a geração coca-cola, mas a minha alma não vai ser colocada em liquidação na vitrine de um shopping center.