"Se eu fizesse tudo o que eu sonho, se eu não fosse assim tão tristonho, não seria assim tão normal"

Vanguart, Mallu Magalhães

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

Meu nascimento

E um dia eu acordei do meu coma.
Assim pura e simplesmente.
Era como se eu nunca houvesse vivido de verdade.
Como as flores que brotam na relva,
Eu nasci dentro do meu peito.
Eu vi as cores,
Finalmente a escuridão da minha culpa não me cegava.
Finalmente aprendi de fato,
A não me importar com o que os outros pensam.
E como pensam!
Pensam de mais. Falam de mais. Brigam de mais.
Abriguei-me no meu silêncio,
Para que me deixassem nascer em paz.
Libertei-me de todos os meus pecados,
E fiz eu mesma minha redenção.
Já não quero mais ser manchete
Agora que cobram quem sou.
Estou livre de tudo que é invenção do homem,
Estou livre de meus falsos valores.
Posso correr mas minhas pernas tremulas ainda não o sabem.
Posso pensar o que quiser, posso ser quem eu quiser!
E sabe quem dentre todas as pessoas do mundo quem eu escolhi ser?
Eu mesma.

Quinta-feira, Outubro 22, 2009

Porta fechada

Minha janela tem cortinas que voam com o bater suave da brisa do quinto andar. O móbile tilinta a música que os passarinhos não sabem cantar. Eu sento de pernas cruzadas na cadeira da minha escrivaninha e escrevo as palavras imperfeitas dos sentimentos perfeitos que sinto no meu peito despido. Sinto o cheiro dos livros e sinto o cheiro dos galhos do lado de fora da minha janela. O vento tem cheiro, tem aroma no meu quarto. Parece cheiro de grama recém-cortada no inverno quando chove. No inverno não, no outono. Meus olhos se serram de prazer e minha face se ilumina de inocência. Meu cabelo molhado nos ombros faz a redenção dos meus pecados e o sol beija minha face com um raio de luz. E eu pareço perdoada pelos crimes da minha condição humana. Meus olhos molhados de toda a chuva da minha frágil humanidade mostram o que ninguém mais vê, só eu. Meu quarto é meio bagunçado. E meu quarto é tudo o que sinto. É tudo no mundo, é brisa, é vento é sol. É maresia da praia e é luar. É todos meus sonhos falidos, é tudo o que eu sou e é tudo o que eu não sou, é tudo o que eu apenas sonho.

Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Nunca olhe para trás depois de escolher um caminho

Se arrepender depois de escolher o caminho que se quer trilhar
É como saber a letra da música e não poder cantar
Corra e nunca olhe pra trás, levante a cabeça, não tenha arrependimentos e siga seu caminho
Tenha cuidado, se meus conselhos não seguir, pode ver que trilha sozinho
Pode ver toda a dor que causou, ver todo temporal
Ver que em todo coração nasceram flores do mal
Não se arrependa de nada do que fez nem daquilo que ainda vai fazer
Pois as flores que semear, você sabe quem vai colher
E acredite, a derrota dos outros nem sempre é a sua vitória
São apenas mais algumas lembranças ruins pra se guardar na memória
E no meu caminho também continuo correndo apressado
Mas eu diferente de quem tem medo de colher o que planta
Não tenho medo de olhar pro passado